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Poéticas de São Paulo: Construindo Novas Memórias Através de Velhos Saberes (Exposição 2019)


Em 2018, fomos selecionados no Edital de Apoio à Criação e Exposição Fotográfica 1a Edição, publicado pela Prefeitura de São Paulo - Ministério da Cultura. Pois bem, passada a parte burocrática do processo - documentação e demais exigências, iniciamos neste mês a pré-produção do Projeto: Poéticas de São Paulo - Construindo Novas Memórias Através de Velhos Saberes.

O Edital deixava a temática de cada projeto livre. Como trabalhamos com o processo de Colódio Úmido e, nossa intenção é compartilhar este processo histórico, a fim de se criar uma conscientização sobre sua importância histórica para fotografia, bem como a valorização dos processos artesanais, decidimos fazer algo através do Colódio Úmido.


Para quem ainda não conhece, trata-se um processo originário do século XIX desenvolvido pelo inglês de Bishop's Stortford, Frederick Scott Archer. Em 2018 lançamos o livro “Fotografia do Séc. XIX Ambrotipia & Ferrotipia” que terá sua segunda impressão agora em janeiro - para quem quiser se aprofundar no processo e suas técnicas (Pré-venda na Boutique).


A ideia central deste projeto, do Edital, é de trazer para cidade de São Paulo novas memórias. Nossa inspiração foi o ilustre trabalho que o fotógrafo carioca Militão Augusto de Azevedo realizou no século XIX, fotografando a cidade de São Paulo e o início do seu desenvolvimento. Faremos então algumas reproduções do seu trabalho, como um comparativo 1862-1887-2019.

Mais de 130 anos mais tarde de sua publicação, nossa intenção é comparar a evolução da cidade, que no século XX teve seu ápice no desenvolvimento econômico e urbanístico e, até então, trazer uma obra original, com uma proposta diferenciada, nunca antes exposta. Além de refazer aproximadamente 10 imagens de Militão, faremos +10 fotografias de nossa autoria, para demonstrar o desenvolvimento atual de meios de transporte, alterações nas paisagens urbanas, nossos principais pontos turísticos, os novos cartões postais de São Paulo, a fim de permear a exposição com novas memórias através do velho saber-fazer fotográfico com Colódio Úmido.


Militão Augusto de Azevedo foi um dos maiores nomes da fotografia no âmbito nacional durante a segunda metade do Século XIX. deixando um legado único de documentação da cidade de São Paulo entre os anos 1862 e 1887, quando ainda eram raros os registros fotográficos urbanos no Brasil. O trabalho do fotógrafo carioca demonstra através de suas placas de Colódio Úmido a evolução da cidade de São Paulo - da pequena vila à capital imperial, simbolizando a passagem de uma sociedade provinciana do século XIX para uma cidade do sonho de "progresso". Hoje, o trabalho de Militão é um dos mais importantes documentos existentes a respeito da cidade de São Paulo, tendo uma contribuição sem precedentes da memória da cidade.


Será um processo de intenso trabalho mas temos certeza de que será concretizado com sucesso. Contaremos com a curadoria do amigo, João Kulcsár, que além de ter grande experiência no âmbito acadêmico, tem um projeto lindo de "Alfabetização Visual", que completou 10 anos e está em exposição no MIS - Museu da Imagem e do Som, "Cidade (In)acessível" até dia 13 deste mês. O João tem também um extenso currículo na produção de exposições fotográficas, incluindo a do grande mestre e célebre fotografo Henri Cartier-Bresson. Contaremos também com empresas qualificadas e certificadas para realização das impressões e emoldurações Fine Arte, além dos prestadores de serviço, onde todos deverão ser regularizados como empresa.


No final dos meses de trabalho, teremos então nossa primeira Exposição Fotográfica, de um primeiro Edital de Fotografia da Prefeitura da nossa cidade, que será realizada em um equipamento público com data e local a serem divulgadas. Estamos em negociação com Centros Culturais.

Ficamos felizes em anunciar também, que estamos viabilizando a acessibilidade para está exposição, ou seja, queremos torná-la acessível para o público sem e com deficiências. Estamos em contato com a querida Carla Grião, da Museus Acessíveis, que dando certo, será nossa grande parceira. O assunto de acessibilidade em Museus, vem sendo trabalhado pela Carla, com intuito de tornar essas instituições inclusivas. Afinal, os museus, centros culturais são para TODOS, certo? Este é um assunto que faremos uma postagem específica futuramente para divulgar essas informações e tentar conscientizar as pessoas sobre a importância em pensar na acessibilidade, SEMPRE. Por fim, estamos com ideias de imagens em auto-relevo, paisagens sonoras, audio-descrição das obras e exposição, entre outros, onde pretende-se tornar a exposição acessível às pessoas com deficiência visual, auditiva, intelectual e, física.


Faremos os registros de todo processo criativo, para apresentar palestras em também equipamentos públicos e possívelmente algumas universidades privadas como objeto de contrapartida do edital. Nele, contaremos sobre a concepção da ideia, essa nova experiência de produzir uma Exposição, produto cultural. O que podemos dizer agora é que, estamos muito felizes pelo resultado da inscrição e prontos para iniciar o cumprimento do cronograma de atividades! Estamos em fase de preparação dos químicos, seleção do repertório imagético e demais tomadas de decisões administrativas antes de ir à campo produzir as imagens.


E porquê fotografar São Paulo em pleno Século XXI através do processo histórico em Placa Úmida de Colódio (XIX)?

Porque é um processo fascinante, onde o produto final, a imagem, é registrada em um vidro - com uma riqueza de detalhes e contraste, o Ambrótipo, como denominado a imagem sobre a placa de vidro, é uma peça única - negativo/positivo, que retém em sua fragilidade e unicidade de uma peça, a memória, seja de uma cidade, de uma população, trazendo conceitualmente a também fragilidade da memória se não bem preservada.

O processo utilizado Militão no Século XIX, é o processo qual nos inspirou e vem nos inspirando através do nosso projeto O Retratista, onde busca-se resgatar a história da fotografia e seus processos, em especial, a fotografia em Placa Úmida de Colódio.

Faremos com certeza mais postagens com o nosso processo criativo, bem como manteremos todos atualizados sobre as datas, horários e o local onde a Exposição será realizada. Continuem nos acompanhando nas redes sociais!


Para quem não conhece o fotógrafo Militão Augusto de Azevedo, deixamos aqui o link do seu acervo de fotografias que encontra-se no IMS - Instituto Moreira Sales: https://ims.com.br/titular-colecao/militao-augusto-de-azevedo/

E indicamos a obra: Militão Augusto de Azedo (São Paulo, 2012) publicado pela Editora Cosac Naify.


Por Renan Nakano

11/JAN/2019


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